Gravidez: Medos e Dúvidas

A gravidez é um momento peculiar onde incertezas, medos e dúvidas surgem uma vez por outra. A futura mamãe experimenta emoções ambivalentes, com momentos de melancolia sem motivo aparente, intercalados por períodos de felicidade e deslumbramento. Estas mudanças emocionais resultam de um ambiente hormonal ímpar, mas o desafio da maternidade e incertezas sobre a vida profissional são exemplos de outros questionamentos determinantes de preocupação e medo. Com o intuito de esclarecer dúvidas frequentes que pairam sobre a mente de muitas gestantes, destacamos 3 perguntas que reiteradamente surgem durante o exame de ultrassonografia.

Post_gravidez_medos_FACEBOOK 11. O exame de ultrassom faz mal para o bebê? Não. O controle da emissão acústica máxima dos aparelhos de ultrassom segue um rígido protocolo internacional proporcionando uma ampla margem de segurança para o seu uso, sem efeitos biológicos aparentes ao operador e paciente, incluindo o feto.

Post_gravidez_medos_FACEBOOK 22. Qual a importância dos exames morfológicos na avaliação pré-natal?
O exame morfológico é executado em dois momentos da gravidez: O primeiro entre 11 e 14 semanas e o segundo entre 20 a 24 semanas. Ambos avaliam detalhes da anatomia e realizam a triagem para anomalias físicas e/ou cromossômicas, como a síndrome de Down, por exemplo. Através dos exames morfológicos podemos avaliar o risco para o parto prematuro, doença hipertensiva da gravidez (pré-eclâmpsia), alterações do crescimento fetal, líquido amniótico, cordão umbilical e placenta.

Post_gravidez_medos_FACEBOOK 33. A ultrassonografia pode indicar se o parto vai ser normal ou cesárea?
Não. É importante saber que nenhum parto é igual, por isso as experiências de outras mulheres não podem ser automaticamente repassadas para todas as grávidas. Quando possível e indicado a opção pelo parto normal possibilita uma recuperação mais rápida da parturiente. Todavia, há casos em que insistir no parto normal pode trazer problemas para o feto e para a mãe. Converse com o seu obstetra durante todo o pré-natal sobre este tema, e não apenas nos dias que antecedem o parto. Isso certamente vai trazer mais confiança e tranquilidade. Não esqueça de ter uma dieta balanceada e quando não houver contraindicação, pratique alguma atividade física, mesmo que seja uma simples caminhada. Combater o stress emocional traz alívio e conforto pra as futuras mamães!

A Ultrassonografia no diagnóstico das Fendas Faciais

fendas faciais

A presença de fendas no lábio superior ou no palato (céu da boca) do feto é um achado relativamente comum sendo identificadas  durante a ultrassonografia morfológica do 2° trimestre. Acredita-se que explicação para o surgimento destas fendas seja multifatorial, vinculada a causas hereditárias, genéticas e ambientais. O tratamento envolve o acompanhamento com uma equipe multidisciplinar com bons resultado nos casos não relacionados a outras anomalias.

Fonte:
Mossey, PA, Little J, Mungen, RG, Dixon, MJ, Shaw, WC. Cleft lip and palate. Lancet. 2009; 374 (9703): 1773-1785.
Dixon, MJ, Marazita, ML, Beaty, TH, Murray, JC. Cleft lip and palate: understanding genetic and environmental influences. Nature Rev Genet. 2011; 12: 167-178.

Um Novo Modelo de Avaliação Pré-Natal

Pirâmide do Cuidado Pré-Natal: passado (esquerda) e futuro (direita).

Os fundamentos que norteiam o acompanhamento pré-natal na maioria dos países do mundo ainda baseiam-se em recomendações traçadas no início do século XX pelo Ministério da Sáude do Reino Unido (Memorandum on Antenatal Clinics, 1929)  segundo as quais todas as gestantes seriam sistematicamente examinadas  inicialmente na 16ª semana e 24ª semana de gravidez; após a 28ª semana as visitas ao obstetra seriam quinzenais  até a 36ª semana e a partir daí semanais até o parto. A maior quantidade de visitas clínicas no último trimestre da gravidez baseava-se na premissa que as complicações obstétricas aconteciam mais frequentemente no 3° trimestre. Com o avanço da Medicina, sobretudo nos últimos 20 anos observou-se que a maioria das complicações obstétricas são potencialmente detectáveis precocemente, em torno da 11ª a 13ª semana de gravidez combinando-se variáveis como a idade materna, ultrassonografia morfológica do 1° trimestre e exames laboratoriais colhidos do sangue materno. Estes poderiam definir o risco específico para cada paciente para um amplo espectro de complicações incluindo abortamento, morte fetal, parto prematuro, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, restrição de crescimento fetal e macrossomia.

Fonte: Nicolaides, KH. A model for a new pyramid of prenatal care based on 11 to 13 weeks’ assessment. Prenat Diagn 2011; 31: 3-6.