Início da gravidez: problemas possíveis

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A ultrassonografia endovaginal e a dosagem sanguínea do beta hCG além de proporcionarem o diagnóstico precoce da gravidez são os pilares da investigação das complicações no início da gravidez. 

Sangramento e/ou dor no início da gravidez são eventos relativamente comuns, acarretando apreensão tanto para a paciente quanto para o obstetra. Diante deste quadro três cenários diagnósticos precisam ser considerados:

1° Cenário: A gravidez vai evoluir normalmente e o sangramento é decorrente da implantação do saco gestacional no tecido mais interno do útero.

2° Cenário: A gravidez não irá prosseguir e a paciente já abortou ou abortará inevitavelmente. Em alguns casos, restos da concepção persistem no interior da cavidade uterina e estes continuam produzindo o hCG, que viabiliza a produção da progesterona, hormônio responsável por manter a gravidez.

3° Cenário: A gravidez está localizada fora do útero, geralmente nas tubas. Esta é uma condição grave, potencialmente ameaçadora da vida da grávida se não diagnosticada e tratada corretamente.

No entanto, há situações em que o diagnóstico diferencial entre estas 3 possibilidades de evolução da gravidez pode ser desafiador. Nestes casos recomenda-se o uso de protocolo rígido que contemple avaliações seriadas da ultrassonografia endovaginal e da dosagem do beta hCG para que uma gravidez que evoluiria normalmente não seja confundida com abortamento ou gravidez fora do útero.

Fonte: Doubilet, PM, Benson, CB, Bourne, T, Blaivas, M. Diagnostic criteria for nonviable pregnancy early in the first trimester. N Engl J Med 2013;368:1443-1451.

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Endometriose e o fardo da dor pélvica

endometriose

A dor ocasionada pela endometriose é o principal sintoma das portadoras desta enfermidade, comprometendo tanto a saúde física quanto emocional.

A síndrome álgica relacionada a endometriose é representada por cólica menstrual intensa, dor durante ou logo após o ato sexual, ao evacuar e durante a ovulação. As lesões da endometriose são usualmente enervadas o que explicaria a causa da dor. O diagnóstico da endometriose deve ser considerado em toda mulher que menstrua, independentemente da idade, e que queixa-se de dor pélvica intensa.

A ultrassonografia endovaginal com preparo intestinal é o método de imagem de escolha para avaliação dos casos suspeitos de endometriose.

Fonte:
Ferrero, S, Esposito, F, Abbamonte, LH, Anserini, P, Remorgida, V, Ragni, N. Quality of sex life in women with endometriosis and deep dyspareunia. Fertil Steril 2005;83(3):573-579.
Johnson, NP, Hummelshoj, L, World Endometriosis Society Montpellier Consortium. Consensus on current managementof endometriosis. Human Reproduction 2013;28(6):1552–1568.
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Endometriose e Infertilidade

 endometriose e infertilidade
A endometriose é uma condição definida pela presença de tecido endometrial fora do útero, geralmente nos ovários e peritônio. Ocorre em cerca de 10% das mulheres em idade fértil e em até 35 a 50% das mulheres com história de dor pélvica ou dificuldade para engravidar.
Nos casos graves de endometriose a redução da fertilidade seria decorrente da formação de aderências com distorção da anatomia dos órgãos pélvicos, identificadas na ultrassonografia endovaginal com preparo intestinal.
Os mecanismo pelos quais a endometriose afeta a taxa de fertilidade em mulheres com as formas leve ou moderada da doença, ainda não são bem conhecidos. Estudos recentes apontam que a redução da fecundidade neste grupo de mulheres pode ser multifatorial e envolveria alteração no desenvolvimento do oócito (célula sexual feminina), na embriogênese (formação  e desenvolvimento do embrião) e na fixação ou implantação do zigoto (célula formada pela fusão do oócito com o espermatozoide).
Fonte:
Barbosa, MAP, Teixeira, DM, Navarro, PAAS, Ferriani, RA, Nastri, CO, Martins, WP. Impact of endometriosis and its staging on assisted reproduction outcome: systematic review and meta-analysis. Ultrasound Obstet Gynecol. 2014; 44: 261–278.

Cistos Ovarianos na Pós-Menopausa

cistos ovarianos

Cerca de 20% das mulheres na pós-menopausa apresentam cistos ovarianos, a maioria destes assintomáticos sendo detectados incidentalmente através da ultrassonografia endovaginal de rotina. Felizmente, a maioria destes cistos são benignos, logo sem indicação de tratamento cirúrgico, apenas seguimento ultrassonográfico periódico.

Contudo, qualquer lesão na topografia ovariana na pós-menopausa deve ser submetida a uma análise ultrassonográfica detalhada das características morfológicas, observando-se para tal, um rígido protocolo internacional que classifica o risco da anormalidade observada ser maligna. Este modelo diagnóstico classifica eficazmente 75% de todas as lesões anexiais. Os casos com maior suspeita de malignidade são submetidos a ressonância magnética e/ou encaminhados para procedimento cirúrgico para elucidação diagnóstica e estabelecimento do tratamento e prognóstico.

Fonte:
Sharma, A, Apostolidou, M, Burnell, S, Campbell, M, Habib, A. Risk of epithelial ovarian cancer in asymptomatic women with ultrasound-detected ovarian masses: a prospective cohort study within the UK collaborative trial of ovarian cancer screening (UKCTO). Ultrasound Obstet Gynecol. 2012, 40: 338-344.
Kaijser, J, Bourne, T, Valentins, L, Sayasnesh, A, Van Holsbeke, C, Vergote, I, Testa, AC, Franchi, O, Van Calste, B, Timmerman, D. Improving strategies for diagnosing ovarian cancer: a summary of the International Ovarian Tumor Analysis (IOTA) studies. Ultrasound Obstet Gynecol. 2013, 41: 9-20.