O Feto que não cresce

feto-que-nao-cresceA redução do crescimento do bebê na vida intrauterina é uma grave alteração que precisa de vigilância e monitorização adequadas.

A redução do crescimento do bebê na vida intrauterina continua sendo um desafio diagnóstico, a despeito da maior abrangência do atendimento pré-natal e da disseminação dos exames ultrassonográficos obstétricos. A maioria dos casos de restrição do crescimento intrauterino (RCIU) é secundária a distúrbios do desenvolvimento da placenta o que prejudica em graus variáveis a oferta de oxigênio e nutrientes indispensáveis para o crescimento e desenvolvimento do feto. Diante de um caso de RCIU devemos também investigar malformações e/ou infecções congênitas e determinadas doenças maternas como hipertensão arterial, pré-eclâmpsia, alcoolismo, tabagismo e uso de drogas ilícitas.

A RCIU está relacionada com maior risco de mortalidade perinatal, prematuridade, paralisia cerebral e certas doenças crônicas que se manifestam na vida adulta como a hipertensão arterial e o diabetes.

Gestantes com fetos diagnosticados com RCIU devem realizar consultas pré-natais mais frequentes.

O estudo Doppler dos vasos materno, placentário e fetal é um recurso valioso para estimar o bem-estar fetal. A análise dos dados Dopplervelocimétricos associados ao estudo do líquido amniótico e movimentação fetal vão determinar se a gravidez pode prosseguir ou se é necessário interrompê-la. Estão também indicados a realização da ecodopplercardiografia fetal para avaliar a função cardíaca que encontra-se sobrecarregada na maioria destes bebês e da cardiotocografia computadorizada. O único tratamento disponível para os fetos com RCIU é a interrupção da gravidez e a decisão do momento adequado para interrompê-la é o principal objetivo nestes casos.

Fonte: Figueras, F, Gardosi, J. Intrauterine growth restriction: new concepts in antenatal surveillance, diagnosis, and management. Am J Obst Gynecol 2011;204(4):288-300

Imagem: Fotolia.

Um Novo Modelo de Avaliação Pré-Natal

Pirâmide do Cuidado Pré-Natal: passado (esquerda) e futuro (direita).

Os fundamentos que norteiam o acompanhamento pré-natal na maioria dos países do mundo ainda baseiam-se em recomendações traçadas no início do século XX pelo Ministério da Sáude do Reino Unido (Memorandum on Antenatal Clinics, 1929)  segundo as quais todas as gestantes seriam sistematicamente examinadas  inicialmente na 16ª semana e 24ª semana de gravidez; após a 28ª semana as visitas ao obstetra seriam quinzenais  até a 36ª semana e a partir daí semanais até o parto. A maior quantidade de visitas clínicas no último trimestre da gravidez baseava-se na premissa que as complicações obstétricas aconteciam mais frequentemente no 3° trimestre. Com o avanço da Medicina, sobretudo nos últimos 20 anos observou-se que a maioria das complicações obstétricas são potencialmente detectáveis precocemente, em torno da 11ª a 13ª semana de gravidez combinando-se variáveis como a idade materna, ultrassonografia morfológica do 1° trimestre e exames laboratoriais colhidos do sangue materno. Estes poderiam definir o risco específico para cada paciente para um amplo espectro de complicações incluindo abortamento, morte fetal, parto prematuro, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, restrição de crescimento fetal e macrossomia.

Fonte: Nicolaides, KH. A model for a new pyramid of prenatal care based on 11 to 13 weeks’ assessment. Prenat Diagn 2011; 31: 3-6.