O coração fetal: a importância da ecocardiografia

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A ecocardiografia é capaz de detectar ou excluir anormalidades estruturais ou funcionais do coração do feto, independentemente da presença de fatores de risco para cardiopatias.

O funcionamento do sistema cardiovascular fetal pode ser avaliado minuciosamente pela ecocardiografia, exame realizado pela cardiologista pediátrica especializada em doença cardíaca fetal congênita entre a 22ª e a 32ª semanas de gravidez.

A ecocardiografia é um exame complexo pois o coração fetal tem algumas peculiaridades que o diferenciam do coração do recém-nascido.  A placenta e não os pulmões do feto é quem é responsável pela oxigenação do sangue, logo não há necessidade que existam trajetos diferentes do fluxo sanguíneo do ventrículo direito para os pulmões (pequena circulação) e do ventrículo esquerdo para as demais partes do corpo (grande circulação). Na verdade, estes dois sistemas estão unidos por meio de “atalhos” ou “desvios” anatômicos que se fecham após o nascimento. As pequenas dimensões da área cardíaca fetal, a posição da placenta e a movimentação do bebê são outras variáveis que tornam este exame desafiador.

Quando realizar a ecocardiografia fetal?

Pacientes com história de cardiopatia congênita na família ou portadoras de diabetes e determinadas doenças autoimunes como o lúpus, ou aquelas com gravidez gemelar ou idade acima de 35 anos devem realizar este exame. Este exame também está indicado quando observa-se alteração na medida da translucência nucal ou mesmo alterações morfológicas fetais extracardíacas.

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O Feto que não cresce

feto-que-nao-cresceA redução do crescimento do bebê na vida intrauterina é uma grave alteração que precisa de vigilância e monitorização adequadas.

A redução do crescimento do bebê na vida intrauterina continua sendo um desafio diagnóstico, a despeito da maior abrangência do atendimento pré-natal e da disseminação dos exames ultrassonográficos obstétricos. A maioria dos casos de restrição do crescimento intrauterino (RCIU) é secundária a distúrbios do desenvolvimento da placenta o que prejudica em graus variáveis a oferta de oxigênio e nutrientes indispensáveis para o crescimento e desenvolvimento do feto. Diante de um caso de RCIU devemos também investigar malformações e/ou infecções congênitas e determinadas doenças maternas como hipertensão arterial, pré-eclâmpsia, alcoolismo, tabagismo e uso de drogas ilícitas.

A RCIU está relacionada com maior risco de mortalidade perinatal, prematuridade, paralisia cerebral e certas doenças crônicas que se manifestam na vida adulta como a hipertensão arterial e o diabetes.

Gestantes com fetos diagnosticados com RCIU devem realizar consultas pré-natais mais frequentes.

O estudo Doppler dos vasos materno, placentário e fetal é um recurso valioso para estimar o bem-estar fetal. A análise dos dados Dopplervelocimétricos associados ao estudo do líquido amniótico e movimentação fetal vão determinar se a gravidez pode prosseguir ou se é necessário interrompê-la. Estão também indicados a realização da ecodopplercardiografia fetal para avaliar a função cardíaca que encontra-se sobrecarregada na maioria destes bebês e da cardiotocografia computadorizada. O único tratamento disponível para os fetos com RCIU é a interrupção da gravidez e a decisão do momento adequado para interrompê-la é o principal objetivo nestes casos.

Fonte: Figueras, F, Gardosi, J. Intrauterine growth restriction: new concepts in antenatal surveillance, diagnosis, and management. Am J Obst Gynecol 2011;204(4):288-300

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Ecodopplercardiograma Fetal: 7 fatos importantes

ecodopplercardiogramaO estudo do coração fetal é parte importante da avaliação morfológica do bebê, necessitando de aparelhos sofisticados que disponibilizem da tecnologia 3D/4D e de médicos especializados em cardiologia fetal.

A análise da anatomia, do ritmo e da função cardíaca são relevantes no diagnóstico de doenças cromossômicas, no acompanhamento de fetos com baixo peso, em mulheres acima de 35 anos ou portadoras de doenças como diabetes e pressão arterial. Listamos, abaixo, 7 notas importantes sobre a importância do ecocardiograma fetal:

  1. A malformação do coração fetal é uma das principais alterações encontradas na vida intrauterina.
  2. 40% das mortes logo após o nascimento são causadas pelas cardiopatias congênitas.
  3. Além de avaliar detalhes da anatomia o exame avalia a função do coração.
  4. Possibilita o diagnóstico das arritmias do coração fetal e a resposta ao tratamento antiarrítmico.
  5. Pais previamente informados e cientes sobre a alteração cardíaca e possíveis abordagens terapêuticas tendem a enfrentar emocionalmente melhor o processo de tratamento.
  6. O diagnóstico pré-natal das cardiopatias congênitas propicia o planejamento antecipado das condutas a serem adotadas logo após o nascimento.
  7.  Melhor método para o diagnóstico da maioria dos casos de cardiopatia congênita.

Fonte:
Lopes, LM, Zugaib, M. Arritmias fetais. Arq Bras Cardiol 1997;69(3):219-222.
Nayak, K, Naveen, CGS, Shetty, R, Narayan, PK. Evaluation of fetal echocardiography as a routine antenatal screening tool for detection of congenital heart disease. Cardiovasc Diagn Ther 2016;6(1):44-49.
Carvalho JS, Allan LD, Chaoui R, Copel JA, DeVore GR, Hecher K, Lee W, Munoz H, Paladini D, Tutschek B, Yagel S. ISUOG practice guidelines (updated): sonographic screening examination of the fetal heart. Ultrasound Obstet Gynecol 2013;41: 348359

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7 Informações Sobre o Líquido Amniótico

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  1. Os principais contribuintes para a formação do líquido amniótico (LA) são a urina fetal e a secreção pulmonar.
  2. A deglutição fetal exerce importante papel na remoção do LA.
  3. Amortece os traumas mecânicos.
  4. Tem efeito protetor antimicrobiano.
  5. É essencial para o desenvolvimento dos sistemas digestório, respiratório e músculo-esquelético.
  6. Contém nutrientes e fatores de crescimento comparáveis ao leite materno.
  7. É uma fonte de células tronco.

Alterações que aumentem ou diminuem a quantidade LA pode levar a graves consequência para a saúde do bebê. Por isso mesmo, o LA é considerado um radar do bem estar fetal e a sua avaliação deve estar presente em todos as ultrassonografias obstétricas.

Fonte: Amniotic fluid dynamic 2007 © Moghazy www.thefetus.net.
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HD Live – Uma Nova Fronteira Na Ultrassonografia

O software HD live existente nos aparelhos de ultrassonografia mais modernos permite estudar minuciosamente os detalhes do feto e da anatomia pélvica feminina.

A reconstrução 3D/4D é um recurso diagnóstico cada vez mais utilizado tanto na ginecologia quanto na obstetrícia, embora muitos ainda acreditem que esta tecnologia seja apenas de uso meramente estético, para apreciação das imagens. Muito além do que apenas mostrar o rostinho do bebê com uma definição e grau de detalhamento impressionantes, essa técnica permite, por exemplo, acompanhar com imagens realísticas a evolução embrionária, a formação e desenvolvimento dos membros, genitália e coluna vertebral bem como auxiliar na detecção de malformações fetais.

O desenvolvimento do software conhecido como HD live permitiu um melhor tratamento das imagens 3D com maior definição da superfície estudada e melhor noção de profundidade.

3D HD live

Imagem em 3D utilizando o software HD live em um embrião de 8 semanas e 2 dias. A qualidade da imagem e a noção de profundidade deste software permitem uma melhor observação das estruturas que devem estar presentes nessa idade gestacional.

HD Live - Ultrassonografia

Feto com 13 semanas e 2 dias. A textura mais realística e a opção de controlar a luminosidade conferindo uma melhor noção de profundidade permitem uma resolução que se assemelha à encontrada in vivo.

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Detalhes da face de um feto com 21 semanas e 5 dias utilizando-se o software HD Live.

Fonte: Araújo JR, E, Santana, EMF, Nardozza, LMM, Moron, AF. Avaliação do embrião/feto ao longo da gestação por meio da ultrassonografia tridimensional com o software HD live: ensaio iconográfico. Radiol Bras. 2015;48 (1):52:55.