Endometriose e o fardo da dor pélvica

endometriose

A dor ocasionada pela endometriose é o principal sintoma das portadoras desta enfermidade, comprometendo tanto a saúde física quanto emocional.

A síndrome álgica relacionada a endometriose é representada por cólica menstrual intensa, dor durante ou logo após o ato sexual, ao evacuar e durante a ovulação. As lesões da endometriose são usualmente enervadas o que explicaria a causa da dor. O diagnóstico da endometriose deve ser considerado em toda mulher que menstrua, independentemente da idade, e que queixa-se de dor pélvica intensa.

A ultrassonografia endovaginal com preparo intestinal é o método de imagem de escolha para avaliação dos casos suspeitos de endometriose.

Fonte:
Ferrero, S, Esposito, F, Abbamonte, LH, Anserini, P, Remorgida, V, Ragni, N. Quality of sex life in women with endometriosis and deep dyspareunia. Fertil Steril 2005;83(3):573-579.
Johnson, NP, Hummelshoj, L, World Endometriosis Society Montpellier Consortium. Consensus on current managementof endometriosis. Human Reproduction 2013;28(6):1552–1568.
Imagem: Fotolia

Miomas Uterinos

miomas uterinosOs miomas são nódulos benignos que acometem o útero com elevada prevalência. A grande maioria é assintomático sendo diagnosticado em exames de ultrassom de rotina, tanto por via abdominal quanto endovaginal.

Dependendo da localização, quantidade e tamanho podem levar a sangramento, cólica, redução em graus variáveis da fertilidade, desfechos obstétricos adversos como abortamentos espontâneos e partos prematuros e mais raramente queixas urinárias e intestinais.

O tratamento cirúrgico quando indicado pode ser feito por laparotomia convencional, videolaparoscopia e histeroscopia, esta última modalidade utilizada nos casos em que  o mioma localiza-se próximo ou mesmo no interior da cavidade uterina. Mais recentemente a embolização das artérias uterinas tem sido um método cada vez mais utilizado e com resultados satisfatórios em casos selecionados.

Fonte:
Somigliana, E, Vercellini, P, Daguati, R, Pasin, R, De Giorgi, O, Crosignani, PC. Fibroids and female reproduction: a critical analysis of the evidence. Hum Reprod Update. 2007; 13(5): 465-476.
Boclin, KL, Faerstein, E. Prevalência de diagnóstico médico auto-relatado de miomas uterinos em população brasileira: padrões demográficos e socioeconômicos no estudo pro-saúde. Rev Bras Epidemiol. 2013; 16(2): 301-313.

A Solitária e Terrível Dor da Endometriose

 endometriose “Doutor desde a minha primeira menstruação sinto uma dor terrível durante a menstruação. Ela é tão forte que fico sem forças. Atualmente, mesmo fora do período menstrual, de dia ou de noite, a cólica aparece e me deixa desolada, triste, jogada na cama. Desde o início dos primeiros sintomas, já passei por vários médicos e fiz outros tantos exames e ninguém descobre o que eu tenho. Meu casamento, meus relacionamentos interpessoais e minha produtividade no trabalho tem sido afetado por ela. A impressão é que a minha família, amigos e os próprios médicos não acreditam no que eu falo; comentam que mulher sente dor mesmo e que era para eu procurar um psicólogo. Eu sei a dor que sinto e sei que ela é real. Mas, às vezes, penso: – Será que eu estou inventando tudo isso?”

Talvez você conheça alguém com uma história parecida ou quem sabe você mesma identifique-se com esta narrativa. Este relato, com algumas variações individuais, exemplifica bem o drama que a mulher portadora de endometriose sofre.

A endometriose é a principal causa de dor pélvica crônica na mulher que menstrua, independentemente da faixa etária. Elas podem referir dor à menstruação, durante o coito, na ovulação e até mesmo dor pélvica contínua levando a grave comprometimento na qualidade de vida. Na verdade, ocorre o que chamamos de Síndrome Dolorosa nestas pacientes por sensibilização neurológica central. Isso significa que as lesões endometrióticas sofrem processo de inervação (formação de terminações nervosas) e denervação (destruição destas terminações) e reinervação (reaparecimento das fibras nervosas) em um ciclo contínuo que, após um determinado tempo, pode levar a acometimento do sistema nervoso central, o que explicaria o quadro de dor pélvica crônica nestas pacientes.

O método de imagem mais relevante para o diagnóstico da endometriose é a ultrassonografia endovaginal com preparo intestinal que difere da ultrassonografia endovaginal convencional, pois consegue avaliar estruturas como o retossigmoide e os ligamentos que fixam o útero na pelve, por exemplo, que são potenciais locais de acometimento desta patologia.

Fonte:
Johnson, NP, Hummelshoj, L. Consensus on current management of endometriosis. Hum Reprod. 2013; 28: 1552-1568.
Abrão, MS, Gonçalves, MOC, Dias Jr., JA, Podgaec, S, Chamie, LP, Blasbalg, R. Comparison between clinical examination, transvaginal sonography and magnetic resonance imaging for the diagnosis of deep endometriosis. Hum Reprod. 2007, 22: 3092-3097.